Movimento hispanista cultural destinado ao universo lusófono partindo das terras brasileiras. Pela união espiritual da iberoesfera e a promoção da latinidade no mundo!
Gustavo
Bueno foi uma das figuras mais importantes à Hispanidade. Pertenceu à Escola
das Astúrias e escreveu sobre diversos temas filosóficos. Seu legado é o que
chamam de “materialismo filosófico”, assim como Marx inverteu as ideias de
Hegel, ele tentou fazer com as próprias ideias marxistas (um materialismo ao
revés) defendendo questões que os herdeiros da luta de classes desconhecem ou
ignoram.
A
Eutáxia é um núcleo harmonizador, não é que parte da centralidade as coisas,
mas ela estrutura a partir das partes, atomizadas ou não, é o equilíbrio das
forças antagônicas da sociedade.
Não
se pode explicar o líder apenas pelos aspectos psicológicos e sociológicos, mas
tem o político. Não é só o carisma. Há de se ver o Desclassamento (de remover
da categoria de classes). É sair do grupo e ter uma visão holística, governar
para o todo.
A
política de Aristóteles – bom ordenamento, boa organização. Não é apenas o
aspecto ético e moral, não é a ideia de bem comum, são termos formalmente políticos.
Que tenha a capacidade suficiente para que esta organização política persista
ao longo do tempo. Gustavo Bueno discorre sobre o comunismo e o capitalismo,
ambos seriam modelos de regimes que estariam em constante movimento,
precisando, pela lógica etapista e progressista, que um estágio supere o outro
sempre. A mobilidade e dinamismo anularia os axiomas e estruturas básicos para
a manutenção de qualquer sociedade minimamente saudável. Não quer dizer que não
se deva ocorrer a mudança e o aprimoramento tecnológico, mas este não deve
comprometer a estrutura, é ela que tem que se adequar aos novos tempos,
transformando-se dentro das inovações ao mesmo tempo conservando-se. A economia
deve ser livre e aberta, liberal no sentido das relações de comércio, ao mesmo
tempo que a sociedade deve manter instituições da cultura que a ordenam. É
possível uma harmonia entre ambas. Não é manter apenas oligarquia política,
preservar as elites políticas, mas a sociedade como um todo.
A
prólepsis, ou proléptico, são projetos para o futuro que surgem de questões
históricas, são as questões históricas que definem o futuro! Seriam as funções
de processos históricos pretéritos, para planificar o futuro.
Toda
Constituição tem uma ideologia e pressupostos políticos ideológicos. Ela não é
neutra, tem prerrogativas do grupo social que a elaborou e domina a sociedade.
A constituição mexicana, produto da revolução mexicana, construída a partir de
pressupostos revolucionários muito claros, devido as invasões do país pelos
Estados Unidos em 1914, 1915-16, Pancho Villa e depois Carranza na
implementação da Constituição levava os eventos recentes em conta. A ideia do
Estado intervir na economia de uma forma mista também. Quase um século depois Vicente
Calderón quis reformar a Constituição. Isto é uma prova que ela vai se
alterando mediante as demandas e ideologias temporais, é ingenuidade ou mau
caratismo achar que seria neutra.
A
do Brasil, saindo de um regime militar e uma constituição feita no contexto de
uma abertura que priorizou as ideologias daqueles que voltaram com a anistia. O
Partido dos Trabalhadores não votou pela Constituição embora a linha desde
Tancredo vai desaguar no Ulysses Guimarães e a carta promulgada em 1988.
O
contrário de Eutáxia é Distáxia. Nenhuma sociedade política pode sobreviver sem
alguns objetivos definidos. Tem um choque entre o proléptico e a realidade,
gerando a ditáquia, e daí vem o perigo de uma sociedade política desaparecer.
Exemplo: Os planos quinquenais e ideologias do partido que aconteceu na URSS. Objetivos
inviáveis, depois de Lenin principalmente. Tudo aquilo foi contrário ao que o
próprio Marx escreveu, na Crítica ao Programa de Gotha, etc. O problema da
Eutáxia não é moral, não é um juízo de valor, se fala da aplicação da Eutáxia
nesse processo histórico, vendo a partir de um “laboratório” que analisa por
óticas baseadas no empírico.
As
ordens do poder político, executivo e de mando, não quer dizer que precede ao
poder físico, às vezes se usa do poder físico, que é inerente ao ser humano e
anterior às sociedades políticas. Em muitos casos precisa de um empurrão,
quando a ordem se vê ameaçada, igual quando se reprime uma manifestação que
pode perder o controle. É um ato de força, que tem que ser policiada também,
sem que venha da centralidade desmedida é haja coercivamente suprimindo as
liberdades individuais. Ao contrário, é em nome das autonomias e garantias
individuais que ela deve agir.
O
poder político é de longa duração, os Estados são seculares, e diferentes do
poder político que é limitado e temporário. É óbvio e imprescindível que haja
forças divergentes em um Estado, não existe unanimidade em nenhuma sociedade.
Se um lado da correlação de forças pensa em revolução permanente no sentido de
totalidade do poder, onde não pode haver oposição e não dialoga com o
contraditório, ele anula a ideia de harmonia. Nenhuma ditadura é benéfica, mas
há de se reconhecer que o processo brasileiro foi diferente no sentido de
permitir uma oposição, o MDB, e ter uma alternância de poder, diferente das
personalistas e totalitárias que se fundiam no líder e sufocaram qualquer
questionamento ou oposição (como as do leste europeu). Para muitos defensores
da autarquia, a ditadura, inclusive a do proletariado, para se fazer valer
precisa erradicar qualquer resistência, e isto é inviável à democracia.
As
confederações e organizações de grupos humanos sem Estado não podem estar
consideradas sociedades políticas no sentido da política que é entendida pela
Eutáxia. Seria a política aparente ou falsa política, mas não operam dentro do jogo
político legalista e estatal. A nação precede o Estado, mas todo Estado tem uma
nação, a política surge com o Estado nação, que pode ser imperial, um império
ou a junção de vários Estados e entes federados.
Gustavo
Bueno foi um nome expoente da intelectualidade espanhola mais recente. Seus
apontamentos, dentre vários, podem ser entendidos aos defensores da hispanidade
para uma ideia de aperfeiçoamento de seus países, sem deixar a célula máter da
cultura se perder em tempos tão sombrios.
Primeiramente,
é preciso esclarecer os dois termos, ou nomenclaturas que precedem os modernos
“Portugal” e “Espanha” (também Andorra e parte da França pirenaica).
Atapuerca,
em Burgos, região de Castilla y León, onde estão localizados os depósitos,
jazidas fossilizadas que são o registro dos primeiros europeus, de 1,2 milhão
de anos, também do Pleitoceno – vestígios do Homo Antecessor e dos Neandertais,
pode ser considerada o embrião dos povos destes países. Bem como as pinturas
rupestres das covas de Altamira na costa cantábrica, hoje patrimônio da UNESCO.
Ibéria
era o território, chamado pelos gregos, que estava situado além dos Pilares de
Hércules (atuais rochas Ábila e Gibraltar, que separam a península da África,
com seu estreito de mar de 13 quilômetros). O historiador Heródoto cita o
topônimo “Ibéria” e o geógrafo Estrabão refere-se à área costeira entre o rio
Ródano e o atual Ebro, até os Pirineus. Na mitologia, Hércules teria tido dois
filhos, Keltus e Iber, que dariam origem aos povos celtas e iberos,
respectivamente, povos que viriam a se fundir, gerando os celtiberos, que
habitavam o local antes da romanização.
A
origem dos iberos tem divergências, dentre as teorias, três explicam
possivelmente de onde vieram. A primeira afirma que seriam povos natos da
Europa Ocidental, cujas semelhanças com os antepassados dos escoceses teriam
evidências nos instrumentos fabricados durante a cultura megalítica, sobretudo
os encontrados em Portugal.A segunda,
afirma que teriam vindo do Cáucaso passando pela Europa central. Já a última
hipótese diz que surgiram no norte da África e possuíam parentesco com os
berberes. As teorias diversas sempre entram em conflito, exaltadas as hipóteses
dependendo da intencionalidade de quem as diz, os que tendem a aproximar a
cultura hispânica da Mediterrânea, preferem a versão de que eram parceiros dos
fenícios e teriam uma suposta unidade com o Norte da África, já os mais
europeístas, preferem afirmar que eram parentes dos celtas. Este último povo
mencionado, conhecido pela farmácia e magia e os lendários druidas, se tem
registro de que seu berço foi em uma região da atual Áustria, também não se
sabe ao certo, outras teorias apontam o Cáucaso, em um local que se estenderia
até a Turquia. Então, os celtiberos seriam a fusão dos povos indígenas do
continente, relembrados pelos nacionalistas ibéricos como os verdadeiros
habitantes da península, antes desta ser romanizada. O único que podemos
afirmar com exatidão quanto ambos povos, é que pertenciam ao tronco
indo-europeu (embora alguns afirmem que os povos palehispânicos eram do tronco
basco, tornando-se indo-europeus apenas depois da miscigenação com os celtas).
Na
Idade do Bronze, desenvolveram a cultura Hallstatt. Sabe-se que louvavam o
touro, animal símbolo até hoje da cultura ibérica, e tinham rituais fúnebres,
como aqueles em reverencia à deusa Dama de Elche, do qual foi encontrado um
busto enigmático para a arqueologia em 1897 na região valenciana.
Antes
mesmo dos registros dos historiadores gregos, os habitantes da península mais
ocidental da Europa eram conhecidos como Tartessos, mencionados inclusive na
Bíblia (que foi escrita muito tempo depois, obviamente), seria uma região rica
em ouro. Lívio referia-se aos Iberos como inquietos e aventureiros, e há quem
afirme que teriam um suposto parentesco com os gregos (porém não é reconhecida
como oficial esta teoria).
Na
mitologia, também dizem que a cidade de Lisboa foi fundada por Ulysses, Odisseu
teria estado no que viria a ser a Lusitânia. Luís Vaz de Camões menciona tal
história reproduzida com toques de nacionalismo pelo povo, em seu poema-mor.
A conquista romana do território inicia-se em 218 a.C,
contra os cantábricos (descendentes dos celtas que vinham da região de
Santander). Para os latinos, como Plínio, “O Velho”, a península foi chamada de
Hispânia, que significa “terra de coelhos”, por ter uma população abundante do
animal (existe a versão do nome não latino, ser de origem fenícia “I-span-ya” –
“terra do norte” – ou seja, ao norte do império talassocrático fenício do
Mediterrâneo) e era dividida em duas províncias; a Ulterior e a Citerior, sendo
a primeira, a região da Lusitânia (atual Portugal) e a última, a Tarraconense.
Posteriormente, alguns também consideram a Mauritânia Tingitana, em território
africano, chamada de Hispânia Transferata.
Uma
região conhecida como Hispânia Nova foi rebatizada como Galécia (atual Galícia)
– Finisterra é o ponto mais ocidental da Espanha e do continente europeu, faz
parte desta província (sem contar as ilhas do Atlântico) – Significa “Fim da
Terra”). Desde então, os termos “ibérico” e “hispânico” designam-se tanto ao
português quanto ao espanhol modernos, e hoje, também para seus descendentes
mundo afora. Portanto, neste livro, serão utilizadas ambas nomenclaturas como
sinônimos, não diferenciando a cultura lusa, e posteriormente a brasileira,
destes últimos.
A
heroica resistência de Numância (em Soria) às tropas romanas, que preferiu o
suicídio coletivo a capitulação no século II a.C e o lendário Viriato, podem
ser indícios de bravura ibérica contra um invasor estrangeiro, mas tão pronto,
esses celtiberos seriam incorporados às legiões de Púbio Cornélio (o Cipião) em
um processo de conversão ao modus vivendi romano que durou quase dois séculos
para a conquista romana de toda a península.
Durante
as Guerras Púnicas contra Cartago (entre os anos 264 a.C e 146 a.C), os romanos
finalmente vencem Aníbal com ibéricos já romanizados em suas fileiras, sob o
comando do grande Cipião, o Africano. A influência cartaginesa se dá
principalmente na atual província de Cartagena, que pertenceu à Cartagonova. Outra
resistência heroica contra tropas foi a de Sagunto, também na região
valenciana, sitiada por Aníbal, o povo preferiu incendiar todos os vilarejos
para evitar a escravidão.
Da Hispânia tivemos grandes
pensadores e estadistas no império romano, o modo de vida estoico, de Sêneca,
originário de Córdoba, em 4 a.C, tutor de Nero, em muito se pode dizer que faz
parte da forma de ser do português e do espanhol, tendente a um ceticismo que
procura ver a vida pela simplicidade e a prudência, trazendo para si a negação
da desmedida, o que por um bom tempo foi um empecilho à adesão do estilo de
vida consumista capitalista. Também destaco Trajano, nascido em 53 d.C, o
imperador que mais expandiu o estilo que se iniciou no Lacio (Latium) por
Rômulo às mais longínquas partes do planeta, conquistando da Gália à Armênia,
às portas da Pérsia, no período de mais esplendor do império, ele era do que
seria o atual sul da Espanha. Foi na península também onde se decidiu a guerra
civil entre Pompeu e César, dando início à Roma como império, pondo fim à
república, com Otávio Augusto após o assassinato de César.
Pode-se dizer que muito antes da miscigenação nas
Américas, os hispânicos já fundiram a sua cultura e incorporaram elementos dos
demais povos que ali passaram. No decorrer de todos aqueles anos, fenícios,
cartagineses, todos tipos de impérios comerciais talassocráticos do
Mediterrâneo e após a queda de Roma, visigodos (que vinham do Báltico, ou há
quem diga que surgiram na Suécia), suevos (estes eram germânicos) e por fim,
árabes e judeus, formaram os espanhóis e portugueses modernos.O ibérico pode tanto ter o fenótipo semita
quanto nórdico, considerado o universo multicultural e étnico mais diverso da
Europa ocidental, muito exótico a um inglês bretão ou um escandinavo de cultura
mais homogênea, seriam os ibéricos um povo semelhante aos balcânicos e eslavos,
assim muitas vezes nem considerados “europeus” de fato, por conta do pé no
oriente que possuem.
San
Isidoro de Sevilla, bispo, expressou em seu célebre Laus Spaniae um espirito
mítico fundador das terras de Espanha: “De todas las tierras que se
extienden desde el mar de Occidente hasta la India, tú eres la más hermosa; Oh!
Sacra y siempre
venturosa España, madre de príncipes y pueblos”. O
bispo de Sevilla, local que já foi a antiga Hispalis, cuja lenda diz ter sido
fundada por Hércules sobre a ocupação dos fenícios, criou um mito fundador do
espanhol como sendo a fusão dos godos com a sociedade pré-romana, o que eu
também acrescentaria os mouros de Tariq, em termos culturais, pois considero a
religião oficial a católica ou cristã em geral, em face dos “estrangeirismos”
muçulmanos que não fazem parte da cultura ocidental. O ocidente foi forjado a
partir do oriente, mas seria uma canalhice histórica querer tratar dos povos
ibéricos como simplesmente “mouros cristianizados” esquecendo da questão gótica
e romana. Desde o III Concílio, a atividade dos bispos era popular, homens da
gente comum, que desempenhavam um papel do confessionário tratando da saúde
mental das pessoas muito antes da psicanálise de Viena, e o registro das
atividades nacionais, bem como o embrião do patriotismo, estava nas descrições
nacionalistas feitas por muitos religiosos, foi Isidoro quem cunhou os nomes
que viriam a ser as regiões (incluindo o atual Portugal), seriam estes: Bética,
Lusitania, Gallaecia, Cartaginense, Tarraconense e Narbonense.
A
origem controversa de Don Pelayo ainda é motivo de discórdia. Para alguns,
seria de linhagem visigoda, mas recentemente o pontam como um caudilho astur,
povo que dá o nome a região de Astúrias. Fato é, que houve uma certa aliança de
ambos, e Rodrigo, o rei dos visigodos, heroicamente resistiu à traição de
Julião, este que levou as tropas árabes de Tariq para além de Gibraltar. Hoje
se tenta fazer um revisionismo visando “orientalizar” a Península Ibérica,
sobretudo a Espanha, legitimando-a como um califado para grupos islâmicos,
sendo que embora seja inegável a contribuição na cultura, idioma e nos genes do
ibérico dos filhos de Alá, tanto a religião quanto o modus vivendi e cosmovisão
latino-ibérica, são tão ocidentais quanto as de qualquer país do norte. Ora,
não podemos dizer que a Grécia, berço da civilização ocidental é um país
“oriental” hoje devido às invasões turcas-otomanas, muito embora atualmente
sejam cristãos ortodoxos, igual aos povos do leste, porém sem dúvidas há um elo
entre os romanizados antigos e os bizantinos, as tentativas de “islamizar” o
ocidente são atitudes políticas e militantes, não necessariamente de “verdades”
empíricas averiguadas.
Al
Andaluz, a Pérsia e Bagdad eram as zonas mais culturais do Império Islâmico,
incorporaram elementos da cultura grega na Espanha e também persas que vinham
do atual Irã. Desenvolveram o papel (papiro, bem como na China e no Egito) os
números indo-arábicos, que foram fundamentais para a ciência. É errôneo achar
que a composição étnica de Al Andalus era homogênia, dentre eles apenas a elite
era realmente árabe, pois entre seus súditos se encontravam magrebinos do
Saara, além de descendentes da Cartago fenícia, já islamizados, judeus e até
eslavos do leste da Europa. Promoviam o que chamam de Razias, ou aceifas;
ataques surpresas e destruição de cidades cristãs, mas é verdade que também
conviveram simultâneas as culturas, como em Toledo, onde tais incursões
destruidoras tiveram tréguas por séculos, até a Reconquista cristã da
Península, que começou partindo do norte. Escritores como Ortega y Gasset
criticaram a noção de “Reconquista”, pois a um processo de quase oitocentos
anos não caberia tal denominação, como algo penado previamente, sendo a cultura
moura assimilada na ibérica posteriormente. O escritor de “España Invertebrada”
também tece crítica aos germânicos na Espanha, que o maior erro de Roma foi
transferir a tal povo a herança do império, porém devo destacar que se não
fosse os visigodos que tomaram o cristianismo na Reconquista, Portugal e
Espanha hoje seriam califados assim como fizeram com o Constantinopla
(Turquia), Irã (que já foi a Pérsia) e a Fenícia (atual Líbano) – pois os
próprios abássidas e omiadas criaram um emirado com capital em Córdoba, que era
independente de Damasco.
Reconhecemos a Batalha das Navas de Tolosa, de 16 de julho de
1212 o início da formação da hispanidade, quando seus combatentes cristãos
começam a invocar Santiago, patrono da Espanha. Nesta ocasião, a dissolução da
centralização do império islâmico em Córdoba deu origem às taifas, pequenas
organizações, quase que partidos árabes, que constituíam uma espécie de
municipalismo, resultando em locais que são hoje Zaragoza e Valência por
exemplo.
É
necessário se escrever gramáticas que ilustram a origem dos povos, não pela
tentativa de se criar mitos fundadores, a justificativa dos nacionalistas
delirantes em se inventar tradições ou heróis para assim manter populações
coesas.
FONTE: VEGA, David “A
Hispanidade para o Mundo Lusófono do Século XXI” (2021).
Pedro Laín Entralgo nació en Urrea de Gaén (Teruel) el
día 15 de febrero de 1908. Fue psicoanalista y químico, pero también un gran
erudito que estudió antropología y realizó trabajos importantes sobre España.
El tema de las dos Españas siempre fue su preocupación, una vez que el país
desde el siglo XX estaba dividido y las consecuencias más grandes venían en el
comienzo de la Guerra Civil (1936-1936). En este vídeo hablo un poco de su
persona y su obra.
José
Ortega y Gasset foi o autor que escrevia na Revista de Ocidente, pensador expoente
da Generación de 1914, menos conhecida que a de 1898, mas fundamental para
entender o processo de racionalização na Espanha, sendo ele figura que orbitou
no liberalismo, este, visto pela ótica considerada por alguns como “elitista”,
mas de fato, um grande defensor dos “aristos”, os melhores, que compõe a
minoria dos povos e é uma resistência à ditadura da maioria, às massas
imperantes destruidoras, como ele aponta e trabalha no seu célebre “A Rebelião
das Massas”.
Suas
influências estão na filosofia alemã, hegeliana, neokantiana e até em menor
grau, weberiana, embora tenha se posicionado em favor das democracias na
Primeira Guerra Mundial contra o império alemão do Kaiser. O fim da Grande
Guerra propiciou a sociedade de massas, a propaganda de massa, a cultura
massificada; meios de comunicação como o rádio e o Cinema, além dos movimentos
políticos do homem massa, o objeto de estudo de Ortega.
Os
aristos seriam os mais virtuosos, dotados da “virtú”, é a elite intelectual que
anula as grandes massas, o conceito de elite sociológico, não a burguesia
materialista, mas aquela da cultura erudita, ameaçada pelos grandes
coletivismos. A condição do homem massa não se dá pela sua posição social, ele
pode ser massificado e alienado mesmo dentro da minoria rica de um país, dentro
da burguesia ascendente se encontram vários, e em uma sociedade mensurada pelos
bens materiais, não são os verdadeiramente mais espiritualizados no sentido de
elevados, de virtuosos até, os que ocuparão as lideranças, pois é a sociedade
do homem ordinário e comum, massificado, que mudou a lógica das estruturas.
A
nobreza também não está relacionada à condição social e material. A incultura
não é exclusiva de uma classe social apenas, bem como os de espírito aprimorado.
Tanto os fascistas quanto os comunistas eram produtos do homem massa,
indiferentes ao melhor que as culturas produzem, os coletivismos negavam as
tradições, indiferentes também à democracia dos mortos, àquilo que funcionou e se
manteve conservado durante várias gerações (as democracias representativas modernas tem o aspecto massificado também). Daí temos pessoas progressistas que
negam o lado positivo da tradição, pela ideia infantil e caricata do conservador.
O homem massa não questiona a si mesmo, nem seu papel ou funcionalidade na
sociedade, como se as coisas “sempre foram assim”, sem enxergar além de seu
círculo, significando o mundo a partir de sua condição, sem alteridade e capacidade
reflexiva de se ver por diferentes óticas. Os coletivismos sempre foram uma
ameaça ao mundo livre liberal, o homem massificado aceita perder a sua
individualidade em nome de uma massa, tragado e anulado pelo coletivo. É a falsa
liberdade! A verdadeira liberdade não é aquela que nos é concedida por uma
centralidade, um Estado. É a autonomia daqueles que criticam inclusive o
contrato social do Rousseau ou as prerrogativas marxistas.
O
homem massa tem uma espécie de Logofobia, qualquer indício de transcender a sua
condição animalesca, de racionalizar sobre algo, ele rejeita, escravo das
paixões e dos sentidos. Ortega y Gasset é talvez o maior nome da literatura da
hispanidade contemporânea, e aqui, seguindo seus ensinamentos para prezar o Logos
e aquilo que podemos aprimorar, sem jamais rejeitar o popular, sem opô-lo ao
erudito, falsa oposição da discussão sobre cultura, deixo um vídeo onde comento
sobre a sua mais famosa obra:
É
preciso sempre deixar bem claro que nossa iniciativa é meramente um movimento
CULTURAL. Quando dizemos que o Brasil se insere no universo hispano, nos
referimos às suas raízes ibéricas que não veem diferença entre Portugal e
Espanha no além mar, também da tradição católica e do modus vivendi. Porém
jamais queremos dizer com isto, que nossa organização defende a aniquilação do
Brasil enquanto nação soberana, reconhecemos e prezamos pelo Estado brasileiro
independente, a aproximação com a Ibéria é cultural e filosófica, e não
política ou administrativamente. O Brasil é uma nação independente desde 7 de
setembro de 1822 e uma república desde 15 de novembro de 1889, e assim
respeitamos. A pátria que acolheu nossos antepassados, meu próprio pai
imigrante, por mais que culturalmente seja pertencente à iberoesfera, não pode
nunca perder a sua soberania. Espanha e Brasil, assim como Portugal, são nações
irmãs e na base da amizade devem construir um futuro em conjunto para dar
soluções ao mundo ibérico, mas cada qual com a sua respectiva autonomia. As
fronteiras que visamos derrubar são simbólicas, as nações em questão têm suas
leis próprias, modelos representativos, formas e sistemas de governo e
representantes legítimos, eleitos ou por direito de sangue (no caso da Espanha sendo monarquia, apesar do chefe de governo, o cargo de primeiro ministro, ser através do voto) e isto será respeitado, a autodeterminação dos povos e o
Direito à liberdade e a plena exploração de suas potencialidades dentro de seu
respectivo território, sem ultrapassar a linha limítrofe que nos divide ou o
oceano que nos separa. Também o respeito aos símbolos nacionais, como as cores,
bandeiras e selos que são os legítimos representantes de seus respectivos
povos.
A
União Ibérica de 1580-1640 é interpretada por nós como mero passado saudosista,
e utilizado ilustrativamente para simbolizar essa união de povos irmãos e nações
forjadas pela latinidade no além mar, e não na tentativa de se formar um novo
império deixando submissa a nação brasileira ou qualquer outra república da Hispanoamérica.
Tecemos críticas e elogios aos caudilhos como Bolívar, Martí, San Martin, Artigas, O´Higgins e D. Pedro I, mas
reconhecemos seus esforços e as nações independentes que eles forjaram, pois
mesmo assim, jamais romperam o cordão umbilical com a madre pátria, esta, que
nos serve de norte como inspiração e não metrópole.
Que
fique claro esse intento de união cultural e não administrativa, pois somos
patriotas ao Brasil, sendo assim, embora reconhecemos a importância das nações
que o formaram, os povos nativos, bem como os africanos transplantados e demais
imigrantes nacionalizados fazem parte de nosso povo, ao qual gostaríamos de
reverenciar e pertencemos. Isto é também a hispanidade, a salada de povos que
se fundem e as múltiplas nações que geraram e comunidades pelo mundo (sobretudo
dos Estados Unidos que tem uma das maiores).
Viva
o mundo lusófono, a Lusitânia ou a Ibéria confederada
(culturalmente) e a aproximação pela amizade de toda nossa América! Deixemos de
lado o projeto imperialista do bolivarianismo que sequestrou a figura
de Bolívar e a deturpou, para uma América de cooperação econômica
pelo mercado comum Mercosul, porém também espiritual, que encontre seu caminho
na latinidade pela diversidade e uma unidade fraterna de várias soberanias cada
qual em seus países livres, sem subserviência, com autonomia de suas Constituições
e legislação, justamente o que o projeto centralizador bolivarianista e do Foro
de São Paulo querem destruir - há de se tomar cuidado com as organizações supranacionais.
Promovemos
a aproximação cultural, o único movimento que deve estar acima das fronteiras,
e nenhum projeto imperialista seja de qual ordem for!
A
América é uma continuação da reconquista que aconteceu na Península Ibérica.
Sendo assim, o Brasil surge nesse contexto. Darcy Ribeiro defendia o conceito
de “Nova Roma”, a latinidade nos trópicos. O movimento Hispanidade BR considera
a tradição brasileira como hispânica também, uma vez que não há como se fazer
uma distinção entre Portugal e Espanha, sendo a lusitanidade parte da
iberoesfera e hispanoesfera. Confira o argumento no programa radiofônico, o
podcast abaixo: